quinta-feira, 31 de março de 2011

UMA história de Maria

Maria, na flor da idade, cometeu o pior dos crimes, aquele impronunciável. Por sua sorte (ou não) seu crime não foi descoberto, mas Maria sabia que era culpada, que precisava pagar pelo que fez.
Resolveu se prender, se trancar dentro de sua própria casa e esconder a chave. Dois dias depois, ao passar pela escada, tropeçou e rolou escada abaixo desmaiada.
Ao acordar não se lembrava de nada, quis ir ao médico, mas a porta estava trancada. "-Porque? Quem trancou? Será que ninguém me escuta?" - gritava Maria. "-O que vou comer, beber? E as minhas necessidades?!!?"
Ansiedade, medo, apatia, tristeza...
Maria luta, grita, bate na porta...Tudo em vão. Desistindo de tentar vai se deitar no sofá. 
"-O que é aquilo? Que porta é aquela? Não me lembro aquele cômodo!" Maria enxugou as lágrimas e foi até o desconhecido. Ao abrir se deparou com muita comida, bebida, tudo que gostava e precisava para viver bem o resto da vida.
Porém após a euforia inicial veio uma tristeza na moça: "-Para que ter isso se não conseguirei desfrutar de tudo? Não tem graça aproveitar sozinha". Neste momento passa uma corrente de ar que provoca um pequeno barulho metálico no canto daquele cômodo recém descoberto, que chama atenção de Maria.
O barulho era uma chave velha e enferrujada que acabara de ser derrubada no chão. Como num passe de mágica a nuvem preta se esvai da cabeça de Maria: "- Não posso sair. Sou culpada..."
Como réu consciente precisava permanecer presa em sua própria casa, entretanto com a chave nas mãos poderia deixar a porta aberta. 
Maria não pode sair, mas agora está pronta para receber alguém e poder oferecer o que tem de melhor em casa.

------
à "corrente de ar" que passou...

ps.: de onde surgiu esta influência psicanaltíca? preciso parar de conversar com o André (#ounão) rsrs

sábado, 26 de março de 2011

Break for relax

Musiquinha do momento...
Início de semestre meio "torn"
Adoro a cara da platéia deste video, só as mulheres cantando (lê-se sofrendo)...
Gosto de pagode mesmoooo, ainda mais um de qualidade!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Réu consciente

Descobri que para ser livre preciso me prender a um monte de coisas.
Mas tudo bem,
Antes um réu consciente
Que um medroso inocente!


Annelise Júlio

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
(Cecília Meireles)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Este gene mulherzinha

Quando minha mãe e eu estamos de férias em casa uma programação é certa: filminho à tarde. Ontem escolhemos duas comédias românticas, gênero também conhecido como filmes de mulher, porque não queríamos “pensar”; queríamos um momento de diversão. Contraditoriamente o pior deles me levou a uma reflexão. Tratava-se do longa-metragem “Jogando com prazer” – não recomendo – com o Ashton Kutcher que interpreta um garotão no auge do vigor físico, o qual a principal atividade é viver à custa de mulheres ricas. Elas ficam com o sexo e ele com o dinheiro.

B-E-L-E-E-E-E-Z-A, é um acordo mutuo. A mulher poderosa, tem O emprego, A casa, O carro e O homem que, citando Maroon5, try his “best to feed her appetite, keep her coming every night”¹. O cara por sua vez, compra (e faz) o que quer e ainda tem momentos de folga, enquanto a Poderosa trabalha, para convidar outras garotas para “virem”² com ele também.

Novamente: B-E-L-E-E-E-E-Z-A; tudo indo bem até que o gene mulherzinha resolver se manifestar: a mulher independente, imponente, gostosa e mais uns blá blá blás que nos denominamos para reforçar a autoestima (você, mulher, não diga que não faz isso), simplesmente “resolve” sentir ciúme e bancar a possesiva. Aí eu te pergunto: o que aconteceu? O óbvio, claro! O bonitão fugiu; e não ficaria nem por todo dinheiro do mundo.

Neste momento veio a minha cabeça (pela 1000º vez) o pensamento: de que adianta esta “revolução feminina” (viva Dilma presidenta! rsrs), se do gene mulherzinha não nos libertamos!? Como minha mãe estava na sala comigo, só pensei uma meia dúzia de palavrão e interiorizei: “não seja mulherzinha, repita comigo de novo NÃO-seja-muherzinha!”.

(...)

Voltando... O filme mostra, assim, a Poderosa com o dinheiro, poder e SOZINHA! Na realidade vejo que o problema é mais embaixo: ela se sente sozinha (estrogênio detect!). Se fosse um cara estaria aproveitando a vida e isso não significa só sair com outras garotas, mas sim indo ao supermercado sem ninguém aborrecer, assistindo futebol sem escutar comentários, não arrumando a cozinha, enfim fazendo o que quer, sem pensar, refletir ou precisar de um “tempo para eles”.

Mas é aí que ocorre uma reviravolta e o garotão passa de caçador a caça, ao ser enganado por uma bonitona que tem o mesmo propósito de vida que ele. Por se tratar de um filme é evidente que os dois bandidos (usei este termo porque (in)felizmente ainda vivemos no mundo de José de Alencar) se apaixonaram. Contudo a garota depois de dizer que amava o Ashton (e quem não ama?) resolve abandoná-lo sabendo do [não]futuro provável dos dois. Não vejo esta personagem como um ser mutante que nasceu sem o tal gene, mas sim uma corajosa mulher (ou não) que conseguiu ignorar o genótipo e expressar um fenótipo diferente.

Enfim, a primeira mulher termina arrumando outro objeto, ops, digo outro garotão e a segunda suprime seus sentimentos e o casa com um rico...

Minha mãe disse, em tom meu revoltado, que o filme era péssimo, mas que antes o fim da primeira que da outra que renunciou o que queria. “E me diz, abriu mão a troco de quê?” – completou. Imediatamente respondi que achava exatamente o contrário e se a bonitona ficasse com o cara só ia sofrer mais. “Ai mãe, precisamos aprender a ser como os homens” – falei. Ficamos uns 10 segundos em silêncio, pois notamos que nenhuma das duas opiniões seria boa o bastante...

Cheguei então no ápice da minha reflexão: “merda, pra que tô pensando isso tudo!?!?!?” (pausa para formação de um vácuo em mim). Percebi então que toda esta discussão nada mais é que o gene mulherzinha expressando um de seus endofenótipos em mim...

------------------------------

*Post para minha friend Júlia, sempre companheira dos meus "momentos pensantes " mais surreais, no entanto mais lúcidos.

¹ - tradução totalmente livre: o cara dá tudo de si para satisfazer a mulher sexualmente

² - o verbo "vir" em inglês é "to come", que na linguagem popular também pode significar gozar

domingo, 2 de janeiro de 2011

90 anos de história gloriosa


Cruzeiro, o guerreiro dos gramados
Sou cruzeirense apaixonado
E pra sempre eu vou te amar

Cruzeiro, quem conhece tua história
De conquistas e vitórias
Nunca mais te esquecerá

Cruzeiro, tua história é tão bonita
Faz parte da minha vida
Pros meus filhos vou contar.